Quiltando paisagens

Como sou geógrafa e quilteira, me encantei com paineis de paisagens desde a primeira vez que os vi. Para mim eu sempre tenho que olhar bem de pertinho para crer que se trata de um quilt e não de uma pintura.

Até hoje nunca me atrevi a fazer uma, ainda me parece algo meio surreal que apenas as artistas mais criativas, com inclinação para a pintura, conseguem produzir. Algo para se expor nas feiras pelo país afora.

No site About.com tem uma série de 15 fotografias com lindas paisagens que podem servir de inspiração para quem quiser se aventurar. É claro que podemos escolher qualquer coisa, mas achei a seleção interessante por agrupar texturas, cores e perspectivas diferentes e que servem como um ponto de partida ao escolhermos o que iremos retratar.

Quem sabe um dia ainda desmistifico os painéis de paisagens e me atrevo a fazer um. Enquanto esse dia não chega, aqui vão algumas dicas que a Vicky Taylor-Hood do blog Seastrands Studio postou em três partes e que eu traduzo aqui de maneira resumida.

Mas lembre-se que essas são apenas dicas,  se você achar que elas estão complicando demais, sinta-se livre para ignorá-las e deixe sua criatividade falar mais alto.

Dicas gerais e idéias:

* Não há caminho errado para você fazer o seu trabalho artístico. Use as mesmas técnicas que você está acostumada. Algumas técnicas são mais adequadas do que outras, mas todas têm o seu lugar.
* Lembre-se que o que você criar tem que satisfazê-la. Sua visão artística é a sua própria e é sua prerrogativa para fazer escolhas. Não se prenda ao que outras pessoas possam pensar, dizer ou acreditar. Trabalhe com a expressão de uma idéia e a interpretação de que a obra necessita.
* Mantenha um caderno ou álbum de fotos (ou os dois!) De idéias, cenas potenciais de inspiração, perspectivas interessantes, coisas que fazem sentido para você.
* Mantenha notas e / ou fotos, não só da imagem de base que você quer fazer, mas também do céu que pode ser usado com essa cena, detalhes de flores que podem ser artisticamente transposta para a cena, esse tipo de coisa.
* Colete uma variedade de tecidos. Ao tentar decidir sobre as cores, olhe a paleta da natureza para a orientação.
* Procure por novas perspectivas. Não basta fazer a mesma foto que todo mundo faz. Altere o ângulo a partir do qual você está olhando para a cena. Foque em um detalhe da cena. Use as fronteiras para dar profundidade ao incorporar as flores, pedras, uma extensão da própria cena ou algum outro detalhe.
* Elimine a palavra “não” de seu vocabulário.
* Trabalhe procurando visualizar todas a etapas e como elas contribuirão para o todo. Não se esqueça que o quilt acrescenta dimensionalidade. Enfeite com miçangas, fitas, ou outras incorporações que podem adicionar brilho e atrair os olhos do espectador.
* Esteja aberto para mudar o seu plano! A arte tem uma maneira de crescer organicamente e com vida própria. Esteja ciente de que mesmo os melhores planos às vezes precisam de retrabalho.

O ponto de partida – o que você está esperando para fazer?
Em um caderno ou papel trabalhe com as seguintes etapas. (Se você tem uma foto, imagem ou desenho, colocá-lo no topo da planilha. Se não, escreva uma breve descrição da cena que pretende retratar.)

Pontos a ponderar – Questões a fazer a si mesma:
1. Qual é a cena que eu estou fazendo?
2. Como me sinto sobre isso?
3. Por que eu estou fazendo isso? As pessoas fazem paisagens, por diferentes razões – veneração, expressão de emoção muito forte, presente, etc.
4. Cores que vêm imediatamente à cabeça quando penso neste lugar;
5. Como posso tornar mais interessante e diferente? Posso adicionar bordas bem delineadas, retratar em um horário diferente do dia ou em outra estação do ano? Olhá-lo de um ângulo diferente? (Não se preocupe ainda com a construção, basta pensar no resultado final)

Pensar e repensar
Ferramentas visuais que podem ajudar:

1. Linhas
* Definem arestas
* Criam movimento
* Fazem contornos
* Fornecem textura
Existem linhas reais em uma peça (no horizonte, um muro, um telhado, um edifício alto, etc), enquanto outras são subjetivas. Por exemplo, linha horizontais indicam calma, enquanto força e potência são mostrados através de linhas verticais. As linhas curvas e diagonais tendem a criar uma sensação de movimento, bem como direcionar o movimento do olho ao contemplar a peça.

2. Direção
Qual caminho você quer que o olho siga ao contemplar a peça? Da esquerda para a direita? Direita para a esquerda? De baixo para cima?

3. Cores e valor
Quais são as cores que vão dominar sua produção e como você vai acentuar o trabalho?
Cores não só criam unidade e contraste, mas transmitem humor, emoção e ajudam a indicar a proximidade.
As cores quentes e/ou escuras geralmente aproximam mais do que as frias e/ou claras. Para a harmonizar, escolha as cores que ficam lado a lado na paleta de cores (amarelo e laranja, laranja e vermelho, roxo e azul). Cores que se chocam funcionam bem para chamar a atenção para um determinado local (uma casa branca com uma porta vermelha, por exemplo)

4. Escala e proporção
Quão grande a sua peça vai ser? Os objetos descritos ficarão bem dimensionados?

5. Textura
Uma das bênçãos do quilt é que você começa a trabalhar em três dimensões. Não somente você tem a habilidade de usar as ferramentas que os pintores usam para criar uma sensação de dimensionalidade (linha, forma, cor, valor, proporção, etc), mas pode ser também um escultor. Você pode manipular o tecido para fazer realmente um relevo ou uma crista. Enfeite com bordados, adição de camadas ou mesmo linhas simples de quilt que pode adicionar profundidade física.

O desenho:
Usando uma folha de papel, traçar um esboço do desenho. Isto é o seu mapa. Ele não precisa ser bom, não precisa ser bonito, mas deve ser informativo para você. Incluir notas sobre as perspectivas de cores, detalhes para se lembrar, etc.

Lançando as bases:
Lance mão de todas a técnicas que podem ser utilizadas. Pense em quais seriam úteis e onde.

1. Decidir sobre o seu fundo com cuidado. O céu tende a definir o humor para o resto da peça. Oceanos e lagos precisam corresponder ao céu. Confie no seu olho. Lembre-se que os céus são geralmente mais leves que a água.
2. Selecione outros tecidos com referência a todas as decisões que você fez anteriormente sobre a cor, a perspectiva, etc
Lembre-se de pensar de longe para perto. Comece do ponto mais afastado (o horizonte, geralmente) e vá seguindo para os elementos mais próximos na cena.

Montagem: Mãos à obra!
Monte sua camada de fundo. Isso pode ser simplesmente um pedaço de tecido ou costurar um oceano a um céu.
A seguir, use pedaços de papel para esboçar a próxima camada. Arrume-os em segundo plano.Cortar a próxima camada e assim por diante. Algumas pessoas gostam cortar e montar as peças uma-a-uma, terminando cada camada antes de avançar. Outras preferem ter todo esquema definido antes de costurar. Seja qual for o caso, certifique-se de enumerar as peças para que você saiba para onde vão! Manter anotações sobre alterações em seu plano, os problemas encontrados, etc.
Tente imaginar como a costura vai melhorar a aparência da peça e que os detalhes podem ser bordados ou costurados depois de quase tudo pronto. Ajuda bastante estar pensando constantemente no próximo passo, procurando antecipar dificuldades que poderão aparecer pela frente, procurando evitá-los.

Fonte:

http://seastrands.wordpress.com/2006/06/29/landscape-quilt-part-1/

http://seastrands.wordpress.com/2006/06/29/landscape-quilt-part-2/

http://seastrands.wordpress.com/2006/06/29/landscape-quilt-part-3/

Para saber mais:
http://elegacyquilts.com/landscape_quilts.htm

http://www.cotton-color.com/en/html/buecher/index.php?key=landscapes&page=1&search=_SchlagwortE&tablelist=buchthemen_en&artikelgruppe=2

http://quilting.suite101.com/article.cfm/supplies_for_landscape_quilting

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7 Respostas

  1. Adorei!!!!!

  2. Maravilhaso Post…Mto informativo. Obrigada por compartilhar. Bjs

  3. Você é a Janaína de Alencar Mota e Silva que apresentou uma monografia sobre o Ítalo Calvino na UEL? Estava sem fazer nada hoje no trabalho e, não lembro com qual palavra chave no Google, cheguei ao seu excelente trabalho. Sou fascinado por Ítalo Calvino. Ainda não pude lê-lo todo (o trabalho e a obra de I.Calvino), mas o farei assim que tiver tempo! O tema é interessante e a única parte que li (“pensando em londrina”) me agradou muitíssimo! Novamente no Google, joguei seu primeiro e último nomes e encontrei esse blog. Estou escrevendo por impulsiva empolgação apenas para lhe parabenizar!

    • Sou eu mesma. Obrigada pelos elogios.
      O trabalho sobre o Calvino foi lançado recentemente como capítulo de livro, no livro Geografia e Literatura: ensaios sobre geograficidade, poética e imaginação, organizado pelo Eduardo Marandola Jr. e Lúcia Helena B. Gratão.
      Se você gostou do tema, vai gostar demais do livro. Os artigos estão ótimos.
      Fiquei feliz de saber que gostou.
      Mais uma vez, obrigada!

  4. Amoras, gostei imensamente do trabalho de paisagens em quilt e gostaria de aprender, iniciar na técnica, creio que isso poderia ajudar no tratamento de minha saúde. Moro no RJ, no sul do estado e acho que por aqui não terei como aprender. Vc tem dicas de livros sobre como eu poderia começar, mas em português, pois não sei outro idioma. Ficarei imensamente feliz com sua resposta. Abraços, Cel.

    • Olá Celina,
      Infelizmente não conheço nenhum livro em português para te indicar.
      No Brasil só se publicam revistas e mesmo assim a maioria são cópias dos projetos gringos. O que é uma pena, porque temos patchwork de grande qualidade sendo produzido por aqui também. Nas feiras podemos ver exemplos de encher os olhos. Mas fica a sugestão, se eu encontrar alguma coisa posto por aqui.
      Obrigada pelo contato
      Janaina

  5. Este texto veio de encontro com o que necessito no momento, interessante e útil.
    Os links indicados tb.
    Muito obrigada Janaína
    bjs
    Jainia

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