As mulheres e suas máquinas

Qual quilteira que nunca ouviu do marido: Mas para que mais tecido? Você já não tem o bastante?
Ou então: Mas para que você precisa de outra máquina de costura?

Pois é, eles não conseguem nos entender, paciência com os maridos das quilteiras…
por isso posto aqui uma história escrita  por um marido de quilteira, no caso o meu!

Segue abaixo “As mulheres e suas máquinas” por Eduardo Marandola Jr.

As mulheres e suas máquinas

É estranho ver uma quilteira diante de uma máquina de costura. Estamos quase em 2010, e o que mais fascina estas mulheres é uma bela máquina mecânica; quanto mais velha, parece que melhor.

Hoje há muitas máquinas eletrônicas, digitais, modernas, com USB, com tantos pontos e funções que só quem lê o manual (caso da Janaina) pode tirar dela todo seu potencial. Mesmo assim, o que realmente as deixa com brilho nos olhos é uma bela maquininha preta, com decalques dourados, uma roldana mestra e um pedal mecânico. Estranho.

Mais espantoso é a explicação: uma Singer 221, por exemplo, é tida como muito macia. Nunca pensei em um velho Ford dos anos 1940 como mais macio que um belo BMW atual. Então, um reles marido de quilteira pensa: “Bom, então é uma relíquia, ela gosta desta máquina como eu gostaria de ter um Ford antigo”. Que nada. Elas realmente usam a máquina antiga, e não apenas para fazer uma costurinha no domingo. Usam-na no dia-a-dia. Incrível.

Esses “calhambeques”, Singers, Vigorellis, Whites, New Homes, são desejados, mantidos, reformados e continuam a fazer sucesso, especialmente entre as quilteiras. Tenho teorias sobre isso, outro dia eu as desenvolvo.

De qualquer forma, as máquinas vão se avolumando e cada vez que uma aparece na minha casa, ou Janaina menciona a intenção de adquirir uma, pergunto: “Mas o que esta faz que as outras não fazem?” Pobre mortal racionalista! Eu realmente estou muito distante de alcançar o significado das máquinas e sua relação com as mulheres. Mas, minha esposa, que já teve umas oito máquinas diferentes (e ela faz patchwork há pouco mais de um ano), sempre tenta me dar alguma explicação. Paciência com os maridos de quilteiras!

Mas Janaina é peixe pequeno nesta história. Conheço uma pessoa que, pelos meus cálculos, já deve ter tido mais de 50 máquinas diferentes, isso porque ela só coleciona Singer, entre as quase trinta que tem hoje e as várias que já vendeu ou deu. Na verdade, não sei onde ela guarda tantas máquinas, além das 10 que estão no seu ateliê, as que decoram sua sala de jantar, sua sala de estar, sua cozinha, os banheiros, a sacada… Mas se perguntar, ela terá um bom motivo para ter todas estas máquinas, inclusive a nova que ela e Janaina planejam comprar agora. Para que? Já nem pergunto mais… Paciência com as quilteiras e suas máquinas.

por Eduardo Marandola Jr.

14 Respostas

  1. Olá Janaina e Eduardo, adorei a materia “As Mulheres e suas Máquinas”
    Não sei por que mas me indentifiquei com o texto,hahahahaha,beijos

    • Será você a pessoa que ele diz que tem máquinas de costura na cozinha, na sala, na sacada, do banheiro,…?
      Beijo tia.

      • se não me falha a memoria,ao todo já tive 32 maquinas,mas atualmente tenho 20, e dentre todas a minha mais querida é a Singer 222k, um sonho de consumo,já cada uma das outras tem uma historia especial que acabou resultando em grandes amizades. Mas não me lembro de nenhuma na sacada nem no banheiro hahahaha,beijos

  2. Ola Janaína, linda inciativa, vá vim aqui te dar os parabéns, um abraço!

  3. E o pior que eu já tenho 3, minha Sinher 1969 não vendo mais nem a pau!!!! beijos!

  4. Adorei a ideia e o conteudo do blog. na verdade nao eh ” mais um” blog de Patchwork, pelo que pude ver e ler tem o diferencial de se aprofundar na Arte do Pacht. Parabens pela ideia…
    Uma sugestao: coloque a lista de seguidores.
    Um bj,

    • Obrigada pelo elogio e pela dica, Solange.
      Eu até gostaria de inserir, mas acho que a lista de seguidores não está disponível no wordpress.
      Vou dar mais uma olhada nas ferramentas e se eu achar eu insiro.

    • Olá, Parabéns pelo blog! Ganhei minha primeira máquina uma singer aos 14 anos, qdo fui aprender corte e costura.A prof queria que eu igual as outras alunas costurasse as roupas em papel! Eu não concordei!!! quero fazer em tecido!!! Sempre, minha vida toda costurei, pra mim,depois filhos, sobrinhas, p/ ganhar uns trocos costurei sob medida, depois noras e agora netas.
      Tenho um atelie de Patchwork fazem dois anos, e tenho todas as “”doenças” que essa arte contamina.kkkk nunca ter os tecidos necessários e SEMPRE PRECISAR DE OUTRA, OU MAIS UMA MÁQUINA. O mais importante que quero deixar aqui, é que todos os meus quilts são feitos na maquina (o nome desbotou) que minha sogra costurava as roupas dos cinco filhos, um deles meu marido.
      Ela é preciosa pra mim por muitos motivos!!! tem um ponto maravilhoso!! e é a única que não deixo as alunas usarem!!!
      kkkkkkkkk minha pretinha linda é só minha!!!
      beijos

  5. Desculpe
    Por estar invadindo o espaço onde vocês, mulheres sabem tão bem transitar. com suas meiguiçes e e delicadezas. Mas gostaria que me reservassem um cantinho para algumas perguntas e informações que podem ser importantes. Gostaria de saber se vcs tem conhecimento de que a Elgin, Vigorelli e outras tambem têem a relação de Nr de serie catalogada por ano de fabricação, é que tenho maquinas antigas Elgin, Vigorelli, Philips, plaft … e gostaria de etiquetá-las por modelo e ano de fabricação. Peço desculpa pelo incômodo e ao mesmo tempo me coloco a disposição para algo que necessitarem aqui pelas bandas de Mato Grosso. Atenciosamente
    evandro.nog@hotmail.com

    • Olá Evandro,
      Infelizmente não conheço, até já procurei pela net, mas não encontrei nada. Mas isso faz tempo então vou voltar a procurar. Se eu encontrar alguma coisa te aviso.
      Abraços.

      • Obrigado pela atenção
        Até breve.
        Permaneço aqui no meu cantinho a sua disposição, caso necessite.
        Atenciosamente
        Evandro Nogueira

  6. REVERÊNCIA
    Particularmente, sou fã das pretinhas, essas criaturinhas que ficam a ornar os cantos de nossas casas, com sua forma curvada, talvez pelo grande fardo que levou ao longo dos tempos. Mas, mesmo assim, são ainda garbosas com seu colares dourados, dentes afiados e andar compaçados.
    Muito nos serviram e em troca nada nos pedem a não ser , por vez ou outra, umas gotinhas de óleo lubrificante. E pensar que outrora, foram regítimas testemunhas do passar do tempo no seio de uma família, ajudando a produzir a fralda do neném, a calça do papai, a blusa da mamãe o cachecol da vovó, além das cortinas da casa e do avental da empregada e em ocasiões de pouco agrado, a coser a roupa de quem está para descalçar. É e sempre foi assim, sempre testemunha de um nascimento ou de um “partimento” se me permitem usar o termo a guiza de licença poética. Sei que não é possível perguntar a uma máquina antiga as venturas e as mazelas que foi testemunha, apenas respeito-as e tento dar o merecido conforto, mais sei que ao longo do tempo ela escreveu com linhas nos tecidos muitas histórias de amor, esperanças e saudades, que hoje , passamos despercebidos pelo muito de roupas antigas atulhadas em velhos baú com cheiro de nafitalina. Eu me rendo e até me atrevo a escrever estas linhas sem muita pretenção de serem levadas a sério.
    Sou apenas um espectador, a tentar adivinhar as venturas e desventuras de umas senhorinhas pretinhas que embora por vezes, pontilhadas de ferrugem e abandono, teimam em fazer parte desse mundo, mas são apenas esqueletos em caixas de compensados a desmanchar pelo canto da sala.
    Atenciosamente
    Evandro Nogueira … Cuiabá-MT, 02:30 de 12 Jun 2011.
    Responder

    • Pessoal, eu amo as “pretinhas” aprendi a costurar em uma que hoje deve ter perto dos 80 anos, herança que minha mãe ganhou da minha avó… aos 6 anos eu pedalava loucamente a maquina, escondida da minha mãe que sempre dizia: Vai costurar o dedo!!! Ufa até hoje estão salvos… tenho 6 maquinas já vendi umas 4 outras…. e to sempre de “namoro”… Achei em um bazar da pechincha uma identica a da minha mãe… muito sorridente arrematei o “lixo” por 30,00, se a pessoa soubesse o que vale aquilo… já me ofereceram 200,00 mas ela tá lá no ateliê quiltando que é uma beleza…a computadorizada tb tem seus momentos de glória… mas lhe falta muito charme ainda…rss

      bjs
      Isa

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