Log Cabin – Parte 2

Log CabinA seguir, a segunda parte do texto sobre Log Cabin. Nele procurei pela origem do design que já homenageou desde faraós do Antigo Egito até presidentes dos Estados Unidos.

De Faraós a Presidentes

Abe Lincoln's Log Cabin

Cabana de toras onde nasceu Abraham Lincoln. Conservada em um museu no Estado de Kentucky

O Log Cabin tornou-se especialmente popular nos Estados Unidos como um símbolo do presidente Abraham Lincoln, logo após seu assassinato em 1865. Isso porque ele passou sua juventude morando em uma cabana de toras no Estado de Illinois e tornou-se herói nacional como o responsável pela libertação dos escravos e por impedir a partilha do país entre Norte e Sul. Assim os dois lados – escuro e claro – significavam também igualdade racial. Acredita-se também que a origem do nome Log Cabin seja uma homenagem ao “Log Cabin President”.

Abraham Lincoln's Log Cabin Penny

Moeda de um centavo em edição comemorativa com o verso estampado pela cabana de toras do presidente Lincoln

É interessante notar que embora o Log Cabin seja considerado um dos blocos mais patriotas ele não é originário dos EUA. Um dos primeiros registros desse bloco é apontado pela historiadora Jean Dubois (apud Cox; Gordon, 2004) sobre uma inglesa que emigrou para América do Sul levando consigo uma colcha em Barn Raising, feita em 1820. Outros exemplos são encontrados na Grã-Bretanha nos anos de 1840. Variações do Log Cabin podem ser encontradas também em quilts da Escandinávia, sendo que muitos historiadores acreditam que o design entrou nos Estados Unidos pelo Canadá.

Múmias de gatos

Múmias de gatos do acervo do Museu Britânico.

Não há consenso quanto à origem do desenho. A teoria mais plausível é a “teoria da múmia”. No início do século XIX, quando as tumbas egípcias foram abertas, foram encontradas milhares de múmias de pequenos animais que eram colocadas como símbolo da realeza. Várias dessas múmias encontram-se no Museu Britânico e pode-se facilmente reconhecer nelas o mesmo design do Log Cabin. Daí, não é difícil imaginar que essas peças de museu tenham servido como inspiração para as quilteiras inglesas.

Múmia de íbis

Múmia de íbis do acervo do Museu Britânico, em Londres.

E quanto mais se pesquisa sobre o Log Cabin mais significado ele ganha. Algo que achei bastante curioso é o fato de que por suas inúmeras variações o bloco alimenta lendas, como a de que escravas do Sul dos EUA traçavam rotas de fuga para os quilombos alterando a posição dos blocos de maneira a formar um mapa criptografado.

Mas acho que o símbolo da casa ainda é o mais bonito, tendo o coração vermelho ou amarelo, simboliza a relação do quilt com a residência, o aconchego e a paz que só podemos encontrar em casa. Em todas as suas atuais variações, esse bloco, aparentemente tão simples, e talvez por isso tão fascinante, é um dos mais executados no Patchwork.

Bibliografia

Brackman, Barbara. Facts & Fabrications:  unraveling the history of quilts & slavery. Lafayette: C&T Publishing. 2006.

Breneman, Judy A.  Quilt Patterns Through the Time. Disponível em: http://www.womenfolk.com/baby_quilts/logcabinchild.htm

Causee, Linda. 101 Log Cabin Blocks. San Marcos: ASN Publishing, 1997.

Cox, Patrícia; Gordon, Maggi, M. Log Cabin Quilts Unlimited.  Chanhassen: Creative Publishing. 2004.

Hall, Jane. Quilt Patterns Through Time. Disponível em: http://www.womenfolk.com/quilt_pattern_history/logcabin.htm

Illinois State Museum‘s quilt collection. Disponível em: http://www.museum.state.il.us/muslink/art/htmls/ks_piece_log.html#

Patchwork Lives. Disponível em: http://www.nebraskahistory.org/sites/mnh/patchwork_lives/building_a_home.htm

The British Museum. Disponível em: http://www.britishmuseum.org/

2 Respostas

  1. Jana, sucesso com seu projeto!
    Beijos

  2. Olá Janaína. Fiquei super feliz em conhecer suas “artes”. Eduardo me passou o endereço de seu site.
    Tive grande surpresa ao saber que a técnica que minha avó Alcina utilizava se chama LOG CABIN. Não sei como ela aprendeu, tendo nascido e sido criada em uma fazenda do vale do Paraopeba (região deprimida até hoje), perto a Belo Horizonte. Ela usava como suporte “saquinhas” de sal. Era a única forma de embalagem que existia naquela época-um tecido meio grosseiro, onde ela ia costurando, a partir de um quadradinho central, várias tiras de retalho. Depois emendava os quadrados e quando chegava o tamanho que ela queria, colocava um forro, geralmente de flanela. Infelizmente não pude aprender com ela, mas minha mãe, hoje com 90 anos, foi quem me transmitiu a técnica. Minha avó morreu em 1951.
    Nossos parabéns a você e a suas amigas.
    Beth e Oswaldo

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